Thursday, December 11, 2008

Compromissos

Hoje ela ia pelo passeio e parou. Olhou para o pequeno cabelo que via no ar, na sombra, desalinhado. Deu por si numa exaustão do alinhamento dos corpos social. Passou para o meio da estrada, no entanto deu por si no pânico de ser apanhada por um veículo ("sei-lá-eu") que se apodere do seu dever ser (que é!) e lhe leve a alegria de acreditar que a alegria pode ser alegre noutro lugar (e "sei-lá-eu"). Segue obstinada. A seriedade de quem tem um olhar em cativeiro e uma alma aprisionada noutro local, o tal, aquele ou o outro, lembranças ou memórias, tanto faz. Não queria ser aquela, mas foi-o, desde sempre, aquela das saudades e dos copos vazios, aquela do sofá e dos pequenos-almoços na mesa, aquela do sono sacudido rapidamente, vulgo, um cão, o seu, em dia de chuva. Quantas vezes não quisémos nós acabar o que haviamos começado e não conseguimos? Quantas vezes não quisémos acabar o que não começámos? Quantas vezes não quisémos começar o que já fora acabado?
Destino. Chegou ao. Olhou para o meio da estrada, desalinhou o cabelo que lhe restava alinhado, descalçou os sapatos e partiu a correr.
E o compromisso? E o destino? "Sei-lá-eu".

1 comment:

Maria Paulo Rebelo, said...

Dos que mais gostei de sua autoria dona Nádia ;)