Monday, June 29, 2009
Segundos
Não gosto do dia de hoje. Porque quando cheguei acendi a luz, porque a folhas que vejo da minha janela acenam naquele lento caminhar de uma manhã de Inverno. Não deveria queixar-me da adequação subtil ao meu estado de espírito, afinal a Natureza parece compadecer-se da minha dor (e não apenas na do joelho e dos braços). Realmente, num segundo, por um segundo, em que vemos a nossa vida rodar (literalmente) e nos apercebemos que somos frágeis, que somos pequenos pensantes, vulneráveis. Muitos assuntos vieram à minha mente num segundo, imagens, sonhos, dias, pessoas... e quando parei do outro lado da berma não chorei, apenas respirei fundo e tentei acreditar que tudo estava bem. Ou iria estar. Depois.
Thursday, June 25, 2009
FYI
O homem mais giro e com mais piada do mundo faz hoje anos.
Oito.
:)
Oito.
:)
Wednesday, June 24, 2009
A ver
E é todo um mundo novo, e é toda uma nova experiência... e é muito trabalho =) quando puder estarei de novo em partilha bloguista! Até lá!
Tuesday, June 09, 2009
Vitória
E uma brisa sobrevoou-me o peito. Um inspirar profundo do meu olhar terreno e pouco alheado. Os pensamentos de outrora transformam-se agora em matéria e a mão inimiga da astúcia de viver num principesco e surreal sonho, puxou-me o pé no princípio do voo. Entrei numa chuva de soluços. Quase desisti.
Num fôlego o ardor da mudança tomou-me de assalto, criou a resistência ao choque e eu atirei-me contra a parede. E a queda foi menos dura do que aparentava, a dor foi menos corrosiva do que a expectativa. E a mudança chegou. E a experiência arrastou a cura, onde o ónus é sempre nosso: sim, o ónus foi sempre meu.
Num fôlego o ardor da mudança tomou-me de assalto, criou a resistência ao choque e eu atirei-me contra a parede. E a queda foi menos dura do que aparentava, a dor foi menos corrosiva do que a expectativa. E a mudança chegou. E a experiência arrastou a cura, onde o ónus é sempre nosso: sim, o ónus foi sempre meu.
Friday, June 05, 2009
É...
Te olho nos olhos e você reclama...
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi
profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De eu me inventar de novo.
Desculpa se te olho profundamente,
rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada...
Antes dos seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."
Elisa Lucinda
Que te olho muito profundamente.
Desculpa,
Tudo que vivi foi
profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.
Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.
Até onde posso ir para te resgatar?
Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De eu me inventar de novo.
Desculpa se te olho profundamente,
rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.
A ponto de ver a estrada...
Antes dos seus passos.
Eu não vou separar minhas vitórias
Dos meus fracassos!
Eu não vou renunciar a mim;
Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.
Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente."
Elisa Lucinda
Thursday, June 04, 2009
Agora: certeiro e verdadeiro.
"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se o não fizerem ali?"
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.
Fernando Pessoa, Livro do Desassossego.
Wednesday, June 03, 2009
Frases de rasgar sorriso...
"Fazia o que tu quisesses só para te poder ver nua... (...)
Disseste que se eu fosse audaz tu tiravas o vestido, e o prometido é devido!"
Disseste que se eu fosse audaz tu tiravas o vestido, e o prometido é devido!"
Monday, June 01, 2009
O único modo de escapar ao abismo é observá-lo, e medi-lo, e sondá-lo e descer para dentro dele"Il Mestiere di Vivere", Cesare Pavese
Vir a Lisboa
Não somos os mais acolhedores, eu admito, não somos os mais simpáticos, não acenamos na rua e quando não vemos uma pessoa há muito tempo temos o pudor da capital em não falar. Todas as cidades têm o seu entendimento e assim vivemos no encontro prazereiro de quem amamos, esquecemos o resto. Não há mal nem bem, não há odes ao norte nem ao sul. Odes seremos nós, cada um na sua raiz, odes seremos nós se entendermos que elas não existem e que, cidadãos do mundo, estamos em comunhão connosco quando estamos em comunhão com os braços abertos ao espaço.
Adoro receber-vos. Adoro receber na minha casa, a minha cidade. Amo Lisboa. Os recantos. Os rostos. A mescla de alguns espaços. Quem não se encanta a ver a luz do Tejo em tardes de sol?! Tenho os meus sítios, partilho-os. Adoro receber os amigos do Porto (cidade pela qual tenho uma peculiar paixão) de braços abertos na capital nocturna e esperar alcançar um pouco de paz naquele terraço que eu gosto de sentir só meu. Tenho pena que tudo seja tão fugaz, que não vos possa reter mais... Quero mais abraços nortenhos, tenho saudades.
Adoro receber-vos. Adoro receber na minha casa, a minha cidade. Amo Lisboa. Os recantos. Os rostos. A mescla de alguns espaços. Quem não se encanta a ver a luz do Tejo em tardes de sol?! Tenho os meus sítios, partilho-os. Adoro receber os amigos do Porto (cidade pela qual tenho uma peculiar paixão) de braços abertos na capital nocturna e esperar alcançar um pouco de paz naquele terraço que eu gosto de sentir só meu. Tenho pena que tudo seja tão fugaz, que não vos possa reter mais... Quero mais abraços nortenhos, tenho saudades.
Tuesday, May 26, 2009
Alcance
Muitas (tantas!) vezes, queremos expor uma ideia, convencer, e simplesmente não somos capazes. Queremos dizer alguma coisa, mas mais fácil seria imprimirmos num abraço o ideário que nos passa na cabeça. A mente perfura todos os caminhos, tentando descortinar se ainda somos capazes, arrancar cabelos à toa e os pés a moverem-se de forma desconcentrada. É assim que me sinto, impotente. Quero gritar aos teus ouvidos tudo o que és, tudo o que significas, o teu sorriso de iluminar o mundo, de remover a pedra dianteira, os teus sapatos de biqueira de aço, tão certeiros e justos. Olha à tua volta. Não vou infectar-te com a doença do "o céu é azul" mas... não é que é mesmo? Não é que o vemos mesmo? Não é que nos entretemos como conseguimos e resta o nada porque mesmo alguma coisa nos parece nada, e queremos sempre mais para lhe chamarmos mais-do-nada depois? Está dentro de nós. Está perdido profunda e sinteticamente naquele lugar que não alcançamos mas... não faz mal receber a mão que vem de fora, pentear o cabelo de forma nova, sorrir com os dentes da alma e compreender que a vida, como a sonhámos, pode não estar aqui. Mas o futuro... bem, o amanhã é nosso.
Thursday, May 21, 2009
Compreender-me.
Visitei-te (como tantas vezes): tinhas os meus olhos, os meus cabelos, as minhas unhas. Usavas essa franja inglória e a cor azul como o perfume dos meus fiéis antepassados. Cerrei os olhos. Não te queria ver. A pouco e pouco fui franzindo o sobrolho para compreender se estarias mesmo ali e encaravas-me com a expressão ávida de sempre me conhecer e não mais subir os meus degraus, recriá-los, evoluir. O adro da igreja paria as modas e o meu sussurrar confuso desamparava-te gargalhadas; eu sorria, melindrada, à minha paixão com espinhos. Usavas a minha camisa, uma branca, que sempre foi branca mas que fica mais branca em ti. Fintaste os olhares de tantos outros para te escancarares no meu, desbravares esse caminho que sabias ser incapaz de engolir sozinho.
Ficaste pasmado de me ver partir aquelas muralhas, de me ver percorrer os montes, cobiçar as almas e as filosofias, manusear a minha percepção de um mundo encantado, onde a limitação sou eu e eu não me limito. Tiveste medo. Por isso ali ficaste, para sempre, longe, onde o sol nasce e o meu amor se põe.
Ficaste pasmado de me ver partir aquelas muralhas, de me ver percorrer os montes, cobiçar as almas e as filosofias, manusear a minha percepção de um mundo encantado, onde a limitação sou eu e eu não me limito. Tiveste medo. Por isso ali ficaste, para sempre, longe, onde o sol nasce e o meu amor se põe.
Friday, May 15, 2009
A caminho de Bali (em pensamento...)
"O melhor do mundo é viajar sozinha. Pela liberdade, pela pureza, pela ausência de expectativas. A segunda melhor coisa do mundo é viajar acompanhada de alguém que caminha ao mesmo passo. Sem pesos, sem dependência, sem expectativas. Só surpresas."
[desculpa o roubo...]
[desculpa o roubo...]
Wednesday, May 13, 2009
Relevância maior
Porque há momentos na vida em que as coisas pequenas deixam de importar, as pessoas pequenas deixam de importar, os olhares pequeninos deixam de importar... e somos de novo crianças, um brilho astuto no olhar, uma exclamação por um sonho, um período feliz! Hoje sou feliz e se é para ser feliz "que seja o tempo todo!".
Parabéns, a nós!
Parabéns, a nós!
Friday, May 08, 2009
Monologar
Deixei-te a porta entreaberta e assim ficou até desistir. Não desisto apenas do vinho do Porto e das lágrimas, desisto do delírio circundante ao nosso ser-ser que, aparentemente, nunca foi. Desculpa se finalmente chegamos ao ponto da ferida maior, intocável. Desculpa, cheguei ao ponto em que o teu vinho tinto não me atrai, o meu corpo é só meu e a minha cabeça arredonda as dúvidas que foram nossas. Mentira, nunca nada foi nosso. Sei a que sabes, conheço os meandros do teu toque e a forma como as tuas mãos circundavam a minha loucura adivinha, aquela que renunciava ao teu olhar e ao mesmo tempo o tragava de um golo apenas. Provei-te, como se prova um sereno amanhecer, devagar, até, de repente, compreender que de amanhecer tinha pouco, e que finalmente já não estavas ali (sim, estávamos ambos a ponto de anoitecer, longe!).
Tenho saudades das cócegas no meu umbigo, da tua linguagem corporal, de quando andavas à minha volta num círculo apertado e atiravas a minha gargalhada ao ar. E me beijavas. Não os meus lábios, a minha alma.
Entretanto, viajo por aí, conheço outros passeios e outras aventuras desavindas, bebo vinhos do Alentejo sem me preocupar com o sabor. Vi o sol nascer, toquei com os pés na areia, percorri com as mãos em fuga um relvado fresco e vi um belroreto à minha janela. E nada, juro-te, nada disto te pertence, nada disso é teu. Perdi os meses, nas veias o tornear confuso de outras mentes que não importa desvendar, não tenho mais os "nossos" problemas. Não sei quem discutirá por ti, que povo te defenderá dos lobos, quem cantará pela tua voz e te sugará o sorriso e te ouvirá dizer "tuuuuu". Nada do que é nosso é nosso, nada do que retirei da tua saliva insípida é mais meu e no entanto, nesse veneno que foi uma paixão fugidia, encontrei-me. Tu não serás meu, mas eu serei mais minha.
Tenho saudades das cócegas no meu umbigo, da tua linguagem corporal, de quando andavas à minha volta num círculo apertado e atiravas a minha gargalhada ao ar. E me beijavas. Não os meus lábios, a minha alma.
Entretanto, viajo por aí, conheço outros passeios e outras aventuras desavindas, bebo vinhos do Alentejo sem me preocupar com o sabor. Vi o sol nascer, toquei com os pés na areia, percorri com as mãos em fuga um relvado fresco e vi um belroreto à minha janela. E nada, juro-te, nada disto te pertence, nada disso é teu. Perdi os meses, nas veias o tornear confuso de outras mentes que não importa desvendar, não tenho mais os "nossos" problemas. Não sei quem discutirá por ti, que povo te defenderá dos lobos, quem cantará pela tua voz e te sugará o sorriso e te ouvirá dizer "tuuuuu". Nada do que é nosso é nosso, nada do que retirei da tua saliva insípida é mais meu e no entanto, nesse veneno que foi uma paixão fugidia, encontrei-me. Tu não serás meu, mas eu serei mais minha.
Wednesday, April 29, 2009
In the mood for love
Tenho vontade de perder o fôlego. Ser um amante estonteante que se abraça na noite, deixar a cabeça cair para trás, sentir-me morta por um beijo, um último beijo, até amanhã, até ao próximo adeus. Chega desta superficialidade arrasadora do até já que não volta, das portas fechadas de vez em quando, do silêncio dos gritos de ciúmes, da loucura, do querer, só querer, querer mais e mais. Quero que acendas velas e me deixes ouvir cantar os pássaros, que cantes em andamento, que me abraces e me beijes o rosto de um só suspiro, que me atropeles os sentidos, que me faças sorrir, rir, gargalhar. Paremos de querer o fácil, ancoremos o difícil, qual o problema de ser sozinha?!, hoje, amanhã, enquanto não se acha, enquanto não se encontra, enquanto não se compreende. Sou sozinha quando me olho ao espelho pela manhã e não preciso de um ardor para me comover com a cor dos meus olhos, preciso de um amor puro e sincero, pouco idilico, mas muito vivido, muito amado, que me sugue, que percorra o meu corpo, que desvaneça as minhas razões e me tire argumentos. Quero, finalmente, um amor como o último vinho tinto: uma surpresa e, ao toque aveludado nos meus lábios, um sabor cada vez melhor.
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