Friday, October 17, 2008

Hoje.

Pensei em escrever mas depois pensei na ausência de tema que brota dos meus dedos, engessada na minha razão. Não compreendo a ausência de ausência de temas que assolam os escritores. Acreditar que é um trabalho de compreensão de nós próprios para lá de uma qualquer possibilidade de inspiração, um trabalho continuado e maduro que eu ainda não consigo concretizar, mesmo que este raciocínio pareça, desde já uma pretensão. Felizmente a minha vida passou já por vários corredores e consegui já enfrascar-me em vários batidos de pessoas, movimentos, momentos, segundos descompensados... Mesmo assim o tema seca entre as teclas ou nos nós dos meus dedos e, então, posso esperar por amanhã. Podemos sempre esperar por amanhã se a espera nos faz sorrir. É o resultado, talvez a esperança do resultado, que nos anima a pele pela manhã.
[Impressionantes são as dores nos braços agora... ]

Tuesday, October 14, 2008

Hit The Road Jack (Live 1981) - Fim de tarde no escritório...

"Eu não vi nada!" - Ray Charles.

[também faz lembrar um dia italiano... e até um "Quem sou eu?"]

Poema...

Um dia tudo será diferente
e tão igual ao que sinto, digo, faço
porque o que faço, digo e sinto,
vem do fundo onde te guardo
esse lugar de onde brota
a verdade com que digo
o tanto que quero dizer,
se simplesmente digo "Te amo".

Pensamentos compostos por outros: o ontem, o hoje e o amanhã...

"Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir – é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida. Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo, com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção – isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos. Esta madrugada é a primeira do mundo. Nunca esta cor rosa amarelecendo para branco quente pousou assim na face com que a casaria de oeste encara cheia de olhos vidrados o silêncio que vem na luz crescente. Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser. Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão. Altos montes da cidade! Grandes arquitecturas que as encostas íngremes seguram e engrandecem, resvalamentos de edifícios diversamente amontoados, que a luz tece de sombras e queimações – sois hoje, sois eu, porque vos vejo sois (...) e amo-vos da amurada como um navio que passa por outro navio e há saudades desconhecidas na passagem."
Bernardo Soares, Livro do Desassossego (Fernando Pessoa)

Monday, October 06, 2008

Convido a ouvir...

... Electric Feel - MGMT
... Changes - Seu Jorge
... Num corpo só -Maria Rita
... Let it Fall - Lykke Li
... Comme s'il en pleuvait - Mayra Andrade
... Evidências - Ana Carolina
... A tua presença (Crónicas da Terra Ardente) - Fausto
... Io lo so che non sono solo - Jovanotti
... O jogo - Tiago Bettencourt

Enjoy!

Anjos

Não sei que perfida vontade do destino os colocou no meu caminho. Tantos olhares sedentos de seres assim e eu vejo-os entrar na minha vida às cambalhotas só porque sim, e só porque acham que eu nasci com a especialidade de dever ser cuidada, com uns toques de um carinho sentimental que me precede. Deveria agradecer à vida por todos aqueles minutos em que olhei à minha volta e lhes vi as asas, abertas e a sorrir para mim, mesmo que alheios a esse sentimento. Obrigada, entretanto não inventaram outra palavra, pela mão que me estendem sem eu pedir, pela força com que me levantam e pela palavra sábia "não vai ser bom" antes da conversa. Pelo menos aqui, aqui!, eu sei que não vos mereço; os anjos da minha vida.

Mensagem... (de Maria Rita e Minha)

Vai chover de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...

Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...


Maria Rita - Santa Chuva

Thursday, October 02, 2008

Eu agora!

Não vou viver,
como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar vocêÉ...

mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
E eu vou lembrar você...

Vou deixar a rua me levar
Ana Carolina

Wednesday, October 01, 2008

Janela

Os dias sucedem-se, como em tantos momentos de tantos dias... Posso olhar lá para fora e ver dezoito quilómetros de betão, enquanto que queria percorrer mais e mais quilómetros a caminho de mim, de ser mais eu. Não é uma queixa, é mais um suplício à vida, que me leve, me carregue comigo própria, para qualquer lugar onde eu possa abrir a mão à minha vida e escrevê-la em comunhão de segundos felizes.

Thursday, September 18, 2008

[dispensa título] ...

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?

Tudo isso que está aí no ar,
malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente
para educar os meninos mais pobres que nós,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade
e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz,

minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,

mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro,
a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai,
minha mãe, minha avó e os justos que os precederam:
"Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar

e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo,
com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!


Dirão: "Deixa de ser boba,
desde Cabral que aqui todo mundo rouba"

e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval,
vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos,
vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."

Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto,
desde o primeiro homem que veio de Portugal".

Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? Imortal!
Sei que não dá para mudar o começo mas,
se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

Só de Sacanagem
Elisa Lucinda

Wednesday, September 17, 2008

[inspiro; expiro]

Um bocadinho de mim. Expludo e espalha-se. Aqui, ali, além, nele, nela, ... Sei que houve uma parte que deixei a correr de quarto para quarto nessa quinta, outro pedaço bebe nicola no bar novo, outro dança num chão verde, encrostados em pequenas grandes pessoas minhas. Arrogar-me: minhas. E outros pedaços estão aí, por encontrar ou por conquistar. Como o tempo, ou o veludo de um tinto: aprender a gostar depois.

Monday, September 15, 2008

Fernando Pessoa

Gosto de dizer. Direi melhor: gosto de palavrar.

[e sou mais eu!]

Tuesday, September 02, 2008

Memória

Desperdiçar um momento de mim.
A um sonho, um devaneio.
Acreditar em possuir mais.
Num pedido absurdo,
Vidas de loucura e paz,
Fumos de visibilidade doida.
E eu, e nós, e tu.
Noites em paragens ridículas,
Por lembrança do ideal.
De cérebro envolventes e
Envolvidas em gargalhadas.
Palavras.
Insuficiente.

Sunday, August 31, 2008

Sempre...






Toda a felicidade é muitas vezes efémera. Tantas vezes aparece este sentimento por algo avassalador. É ver cair-vos às pingas perto de mim, especiais, com olhares, momentos perversamente inesquecíveis, para recordar com uma apara e uma lágrima. Amar-vos, com o olhar e coração a pedir mais, a implorar por um último erro, uma última actividade, um último suspiro, uma xixa por fumar ou uma colherada de nutela. Amar-vos, sem palavras nem explicação. Explicar? Falo-ia, mas não consigo.
[estou muito cansada mas... amanha vou carregar isto de fotografias do resto das minhas pessoas... "tururu... this is your captain speaking"]