Quem sou eu que não um nós invertido? Um nós que tive com todos os seres que passaram na minha vida. Ou então não só os seres, porque os nós-seres é um de-menos. Talvez o "nós" com aquela estrada por onde passei que viu comigo as minhas solas gastas, ou aquele papel onde marrei para conseguir escrever, o seu cheiro como meu e os meus cabelos os seus fios quase invisíveis. Quem sou eu que não me descubro e por mais que passe o vento de norte me desperto sempre à minha porta que juro, a cada dia, não conhecer? Quem está perdido como eu, entre pensamentos de almas atribuladas, tédios reconhecidos em conversas de animos exaltados, beijos ardentes de lençóis só sonhados...? Quem é aquele que se auto-intitula ser, aquele que não está, que finge permanecer e acredita nesse fingimento que o engana, a ele e aos vis, aqueles que perpetuam o seu acreditar irreal. Ser eu, ser uma flor!, ser depende do ângulo. Quando estou a noventa graus, apenas aí, sou. Tudo o resto é assemelhar-me a qualquer outro que persegue um caminho até casa. Assemelho-me a qualquer outro tantas vezes, e nessas tantas vezes (e, quem engano eu?; noutras mais ainda) sou apenas um nome, eu e aquele vocativo estranho onde, por vezes, nem me reconheço. O melhor é que acredito poder ser, eventualmente, nesses momentos em que me questiono, apenas um tédio de mim.
("Moro no rés-do-chao do pensamento e ver a vida passar dá-me tédio")
Wednesday, November 14, 2007
Tuesday, November 13, 2007
Como dire? Diccendo... Nuno Judice
"Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados.
Depois, na rua,ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus, do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que,
sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação."
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados.
Depois, na rua,ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros; um ar
diferente inundava a cidade. Sentei-me
nos degraus, do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer. Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que,
sem estares ali,
continuavas ao meu lado. E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação."
Monday, November 12, 2007
Ser
Estou aqui, perdida. Talvez, perdida de confusa, quem sabe. Não estou triste, quem sabe um pouco desiludida com a vida que me mostra mais encantos do que aqueles que mereço em cada passo que dou. Foi como uma dádiva, eu que engravidei dela, que me dei a ela, eu e ela, o mesmo organismo. Dou-me às verdades, elas também grávidas de mim, elas, mais do que secundárias, o que mais me orgulho de, às minhas custas, querer seguir e querer perscrutar. Parar para ouvir o teu coração. Parar. Ouvi-lo. Saber que calmamente bate por mim e que eu calmamente bato dentro de ti, um pulsar constante e arrependido que nasce com força. Ser eu, seres tu, não cabe aqui. Ou melhor, caberá aqui enquanto não couber em mais nenhuma parte do mundo. Tu cabes em mim mas eu não posso pertencer a lado algum, sou como uma cidadã de um mundo que não quer pertencer-lhe. Não me conheces. Ou conheces? Eu não me conheço e não posso dizer-te quem sou porque nunca sei embora esteja sempre a dizer que acho que sei ou que acho que quero saber sem querer... Gosto, de ti, de ser. Gosto de sermos. Seremos. Enfim.
Saturday, November 10, 2007
...
Sinto-me um alter ego de mim... não sei se é hoje que me destrato em ruas secundárias ou se sou eu que me desencaixo e me desidrato de mim. Não sei se me trato e engravido de vida aqui, se vigora em mim a força inalcansável do ser para lá do existir, para lá da alma que lavo em cada passo que dou. Sou eu, enfim.
O melhor deste erasmus são as noites que passo sem dormir e penso na minha vida, nos sentimentos que passam pela minha alma todos os dias, pelas amizades que me tocam e pelas saudades que me assolam de vez em quando... Obrigada!
O melhor deste erasmus são as noites que passo sem dormir e penso na minha vida, nos sentimentos que passam pela minha alma todos os dias, pelas amizades que me tocam e pelas saudades que me assolam de vez em quando... Obrigada!
Wednesday, November 07, 2007
Perdoa-me
Amar-te, perdoa-me, é percorrer o teu desidrato veloz. Pelos teus olhos sussurrar a estranha sensação de perda em cada instante. Pertencer-me-te, desejar ardentemente o perigo delicioso de um atropelo, de um aperto, de uma razão em precisão de ti e do suco da tua alma. Sugar-te naquele desespero que me deste quando me abriste a porta e rezaste para que a réstia de luz me levasse, em mim, para sempre, por mais que a tarde caísse e tu me pudesses desejar... uma única vez, a cada segundo.
Sussurro expressões tocadas. Sussurras-me; tocas-me?! Que intervalo é esse onde sondas o cheiro dos meus cabelos e o meu pescoço te racha o perfume da incapacidade de ser e esperar e apetecer e sonhar e beijar e... amar-te, perdoa-me. Opio-te. Mas senti-lo, primeiramente, foi inesperado e inintencionalmente forte.
Sussurro expressões tocadas. Sussurras-me; tocas-me?! Que intervalo é esse onde sondas o cheiro dos meus cabelos e o meu pescoço te racha o perfume da incapacidade de ser e esperar e apetecer e sonhar e beijar e... amar-te, perdoa-me. Opio-te. Mas senti-lo, primeiramente, foi inesperado e inintencionalmente forte.
Monday, November 05, 2007
Momentos!
Não há nada que goste mais do que guardar momentos... momentos em que nos escondemos da máquina, em que viramos a cara, mas em que estamos juntas, em que vamos construindo um degrau cada vez mais nosso... Brindes aos momentos, brindes a nós a preto e branco e a cores... brindes a nós! Obrigada a alguém por ter inventado a amizade, obrigada por ter posto na minha vida gente que reinventa.
Herman Hess - ele é que sabe!
"L'amore non bisogna implorarlo e nemmeno esigerlo. L'amore deve avere la forza di attingere la certezza in se stesso. Allora non sarà più transcinato ma transcinerà!"
"O amor não necessita de ser implorado nem mesmo exigido. O amor deve ter a força de atingir a certeza em si própria. Assim, não será arrastado mas arrastará!"
"O amor não necessita de ser implorado nem mesmo exigido. O amor deve ter a força de atingir a certeza em si própria. Assim, não será arrastado mas arrastará!"
Olavo dix it
"Estou na merda funda!" LOL - 14 Out 2007
(nunca basta estar na merda, nunca basta estar fundo! ;))
(nunca basta estar na merda, nunca basta estar fundo! ;))
Roma e Roma; Pessoas e Pessoas!
Entro no autocarro e torço o nariz. "Mas porquê?", dizem-me elas. E eu olho de soslaio para as senhoras que se sentam perto de mim. Em vão abro a janela mas aquele perfume a vida não me sai da entrada das narinas. "Não está fácil", perco a sensação de entranhar-me em Roma mas ela entranha-se tristemente em mim. Sempre descrevemos um ambiente com o que vemos, com o que nos transmitem as imagens que captamos. Destes minutos de suplício tirei a estranha sensação de que há um mar de gente afastado de mim, do meu cheiro a vida, de todas as minhas possibilidades de emanar um cheiro a vida agradável que tanta gente não tem o poder de deixar sentir.
Sento-me na Piazza di Spagna. Cabeças torneadas pelo sol, milhares delas. E eu ali quando passa alguém e levanto o nariz em aprovação. "Passou alguém por nós que cheirava tão bem...", embala-me. Que boas são as Romas e Romas...
Sento-me na Piazza di Spagna. Cabeças torneadas pelo sol, milhares delas. E eu ali quando passa alguém e levanto o nariz em aprovação. "Passou alguém por nós que cheirava tão bem...", embala-me. Que boas são as Romas e Romas...
Saturday, October 27, 2007
Mulheres com asas?
Às vezes na vida há alguém que se segura às nossas pestanas e nos obriga a ver. Pode nem nos conhecer, pode somente ser um ser presente e muitas vezes isso mesmo consegue ser mais forte. Passeei-me contigo e devia tê-lo feito mais vezes porque o teu abraço quente é mais puro e sincero do que tanta coisa que eu possa ter aqui. Só tenho de agradecer ao facto de ter aterrado aqui e ter crescido. A vida aqui não é tão distante assim da realidade: "some have flown away!" e voarão mais com certeza!
Wednesday, October 24, 2007
Os meus pés conseguem segurar a torre!
Uma tarde das mais belas que tive em Pisa... um licor de chocolate, um rebolar na relva, toques de amizade, estórias e estórias e os nossos pés... Se eles têm força para enfrentar o caminho porque não teriam para segurar a torre?!
Monday, October 22, 2007
Pisas...
Estar aqui até da gosto: uma pitada de pasta aqui, um gostinho a capuccino por ali, uma piazza que se abre do nada e um paladar sereno de uma vida diferente. Eis que a minha rotina muda, mas muda como nunca. Aqui os horàrios sao relativos e pegas na tua bicicleta e vais por ai olhando o fiume (para os menos entendidos fiume é rio, para os menos entendidos ainda, Pisa tem rio!), pensando na vida, olhando para as pessoas que rodeiam e que nao sabem que o teu olhar é efemero e vives. Na pacatez desta vida, vives muito mais, das-te muito mais, respiras muito mais. Sabes que a vida nao te foge e que amanha nao passaras nenhuma hora no transito nem ficaras em casa a noite agarrado a televisao. No maximo fico a noite agarrada as conversas que tenho na piazza ou aos capuccinos que fazemos na casa uns dos outros. Estou irremediavelmente agarrada a esta felicidade de piccolos momentos, agarrada a lingua italiana, agarrada a mim aqui e tenho a dizer sem duvidas que desde que aqui estou que sou muito melhor pessoa e que quando voltar para Lisboa ja renasci.
E o melhor, melhor mesmo, é ir para casa as quatro da manha de bicicleta, sozinha com a noite, e ver o céu mais bonito que ja vi em toda a minha vida. Vou ficar aqui para sempre a fotografar chineses na torre!
(Escrevi Pisas porque me deu uma sede de ser bambina outra vez e naquela altura tudo era dito no plural: primeiros, ultimos, ...)
E o melhor, melhor mesmo, é ir para casa as quatro da manha de bicicleta, sozinha com a noite, e ver o céu mais bonito que ja vi em toda a minha vida. Vou ficar aqui para sempre a fotografar chineses na torre!
(Escrevi Pisas porque me deu uma sede de ser bambina outra vez e naquela altura tudo era dito no plural: primeiros, ultimos, ...)
Tuesday, October 16, 2007
Doi...
Sabes o que acho? Que o amor doi. Doi. E quando nao doi temos tendencia e deseja-lo menos e a deixa-lo ir. Algo de muito errado acontece agora com os seres pensantes: quando o desafio se desvanece, assim se desvanece o amor. Ora, o que é feito daquelas paixoes assolapadas em que se guerreira todos os dias pela flor na mesa de cabeceira ou as migalhas na cama? O que é feito do "o teu amor tira-me o ar" e um beijo lançado à janela? O que é feito de no's a brotarmos dos outros? Quando encontramos algo que naquele momento vale a pena, se naquele momento pensamos que podiamos ver aquelas estrelas para toda a vida, no momento seguinte tudo se pode desvanecer mas provar a eternidade é, para mim, mais do que suficiente. E so te disse "porque?" quando era sentido, quando sei que por mais que queira cegar-me, eu verei sempre mais longe.
(Oferece-me tua sede agora. Eu beber-te-ei mais tarde!)
(Oferece-me tua sede agora. Eu beber-te-ei mais tarde!)
Thursday, October 11, 2007
Depressão.
Depressiva?! Mas quem és tu? Prometes ficar, juras que vais. Pertences lá mas lá ninguém te pertence. Sabes bem que não tens nada a que te agarrar porque cortas demais as unhas e rois as dos outros, não vão eles gostar de ti. Aprendeste a destruir o que era teu por achares que nunca te havia pertencido. Abanar-te não chegaria. Chegaria? Onde encontraste esse quarto de alma que apregoas? Onde estás perfeita junção de experiências e porque não te sentas no colchão connosco e adormeces sem legendas? Seremos, sempre, a casa onde tornas... mas um dia não poderás aqui comer, não conseguirás aqui levantar o copo sem seres fielmente desamparada pela nossa indiferença. Pensa nisso... pensa nisso e esbofeteia-te a ti própria, já ninguém o pode fazer por ti.
Subscribe to:
Posts (Atom)
